Mercado vê blefe da China para baratear o minério de ferro

27/ 12/ 2013

A sinalização do governo chinês de que efetuará corte na produção de aço no país, inclusive com o desligamento de usinas obsoletas, visando menor agressão ao meio ambiente, não convenceu o mercado, que vê blefe do governo asiático na tentativa de derrubar o preço do minério de ferro, matéria-prima da produção siderúrgica.

Se a China realizar redução significativa na fabricação de aço, a decisão causaria importantes alterações no mercado mundial, uma vez que o país asiático abriga o maior parque siderúrgico do mundo e é o maior importador de minério de ferro do planeta. Além da descrença sobre a redução da produção siderúrgica, especialistas veem apenas motivações sazonais na recente queda dos indicadores de produção de aço chinês.

No mês passado, as usinas chinesas produziram 60,9 milhões de toneladas, uma queda de 6,5% em comparação com outubro, o nível mais baixo desde dezembro do ano passado, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas.

“Estamos em um período de inverno rigoroso na China, o que reduz a velocidade dos investimentos em construção e afeta até mesmo a operação de algumas usinas. Isso acontece todo ano. A China fala em reduzir a capacidade de produção há 20 anos e nunca o faz”, diz o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Uma usina na província de Hebei foi fechada recentemente, mas não foi o suficiente para vencer o descrédito do governo. Segundo a provedora de preços e notícias sobre commodities Platts, a planta que foi fechada em Hebei tem produção irrisória. Seriam menos de 7 milhões de toneladas por ano, em um total estimado em 1 bilhão de toneladas anuais.

A diretora de energia e recursos naturais da consultoria EY (antiga Ernst & Young), Luciana Pires, observa que a própria Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, indica em seus balanços que a demanda na Ásia vai aumentar nos próximos anos e que as sobras de aço no mundo vão permanecer pressionando as margens de preço do setor siderúrgico. “No Brasil já temos uma ociosidade nas usinas maior do que a média mundial. A tendência é de que esse processo continue, com ociosidade alta, demanda em queda e preços mais baixos”, afirma.

Fonte: Hoje em Dia