Mineração e siderurgia revisam projetos

09/ 12/ 2013

Até 2016, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), estão previstos cerca de U$S 22,5 bilhões em novas operações de mineração e U$S 6,9 bilhões em metalurgia e siderurgia na Região Norte em 2016. Apesar da expectativa positiva, especialistas afirmam que o setor passa por um período de revisão de orçamento, o que tornaria inviável boa parte desses projetos. Um desses projetos, por exemplo, é a Aços Laminados do Pará (Alpa). E o motivo para tal é que não há uma hidrovia para o escoamento da produção. A Alpa era orçada em US$ 3,7 bilhões.

O período de redução de expectativas que vive o mercado de mineração é reflexo especialmente da perspectiva de redução de consumo na China, principal cliente do Brasil.  Além disso, as empresas estão tranquilas quanto à capacidade de atendimento à demanda muito por causa das novas reservas comprovadas. Isso gera uma tendência nas mineradoras de reduzir a busca por novas fontes de minério. Para Lima, as empresas voltarão a intensificar as pesquisas em um prazo de três a cinco anos, quando o ciclo de baixa nos preços deverá estar próximo do fim.

Outro questionamento que as empresas levantam é o custo dos projetos no Brasil. Segundo João Ronchel, presidente da unidade global de mineração e metalurgia da consultoria finlandesa Pöyry, a indústria de mineração sofre com a imprevisibilidade de orçamentos locais, não sendo raro acontecer de o custo final de um projeto ser 60% superior ao valor inicialmente projetado pelo investidor.

O custo da mão de obra é um dos que mais incomodam. Como os atrativos para o trabalhador mais bem preparado são poucos em locais distantes as empresas acabam usando empregados inexperientes ou trazem funcionários de longe, com incentivos que encarecem os valores de contratação.

Outra questão que preocupa é a falta de infraestrutura para operação e escoamento da produção. “O correto seria o País ter a infraestrutura de transporte pronta, pois isso reduziria o investimento total das empresas”, afirma o gerente executivo do Ibram Amazônia, Ronaldo Lima.